quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Revoltas Populares Recentes nos Países Árabes : Primavera Árabe

     No final do ano de 2010 a África do Norte  e partes do Oriente Médio foram sacudidos por organizações pacíficas da população, clamando por melhores condições de vida e liberdade de expressão. Os países onde aconteceram, e vem acontecendo essas revoltas têm em comum pertencerem ao  chamado grupo dos países árabes , de religião predominantemente islâmica,  e com sistemas de governo totalitários, e em alguns casos com os mesmos ditadores no poder por mais de trinta anos, ou em outros com um certo disfarce democrático. 
    Outra característica dessas " revoltas populares " é que a sua organização contou com o apoio da internet, onde as redes sociais se transformaram em instrumento de organização e planejamento de movimentos, a princípio pacíficos, mas que foram violentamente rechados pelas forças militares de seus países. Portanto, em alguns momentos verdadeiras guerras civis eclodiram, e o caso mais dramático foi na Líbia, que colocou o país inteiro sob uma intensa guerra civil, inclusive mobilizando forças militares internacionais .  
    Sem sombra de dúvida, a globalização, sob aspecto de avanço nas telecomunicações e rede de transportes, coloca em alerta os regimes ditatoriais de todo o mundo, e por essa razão, é que a China faz investimentos  no monitoramento e censura da internet e outros veículos de comunicação. 
     Leia a seguir um pequeno resumo dessas revoltas populares em cada país. 



Líbia : Desde que assumiu o poder, em 1969, Kadafi proibiu todos os tipos de associação civil na Líbia. Não conseguiu desbaratar, no entanto, as ligações de uma sociedade tradicionalmente tribal. “Em outros países, as uniões familiares acabaram se tornando menos importantes com o surgimento de outras formas de associações civis. Na Líbia, as tribos foram a única maneira que as pessoas encontraram para se organizar e se ajudar”, explica a especialista em Oriente Médio da Northwestern Univeristy, nos EUA, Wendy Pearlman. 
  Há cerca de 30 tribos de mais influência na Líbia, mas existem inúmeras outras menores. Os grupos são independentes entre si, e, nesta revolta popular, alguns apoiam Kadafi e outros estão contra ele.
  A partir de fevereiro de 2011 o país entrou em guerra civil .  A situação é caótica, catastrófica. Há uma violência organizada do estado contra pessoas que estão protestando pela saída de Muamar Kadafi. O poder está fragmentado entre várias facções e tribos no país. A parte oriental do território está nas mãos de opositores. Kadafi e o seu governo estão se entrincheirando em Trípoli e prometeram lutar até a última gota de sangue.
  O Conselho de segurança  da ONU decidiu a composição de uma força militar para atacar as posições  de Kadafi, com objetivo de proteger os civis revoltosos.
  A Presidente Dilma Roussef se posicionou contrária aos ataques, preferindo negociações pacíficas . 
    O ocidente interveio militarmente na Líbia devido à sua posição estratégica no mediterrâneo, o histórico político de Muamar Kadafi (constantemente apontado como financiador de ações terroristas contra países do ocidente) e por ser um dos maiores produtores de petróleo do mundo. 
    Estados Unidos, França e Grã-Bretanha comandam a ofensiva com o objetivo de impor uma zona de exclusão aérea na Líbia, para proteger civis opositores de bombardeios do governo.
   Em agosto de 2011, os chamados rebeldes, integrantes de milícias que combatem as forças militares de Kadafi, venceram : conseguiram invadir o refúgio de Kadafi, a sua fortaleza.  
     Até agora  30 de agosto de 2011 o Ditador  Muamar Kadafi continuava foragido. Os rebeldes estão cercando a cidade natal de Kadafi,  Sirte, após terem efetivamente controlado a capital Trópoli, sinalizando o iminente fim da guerra civil na Líbia. 
    No dia 20 de outubro de 2011, à noite, foi anunciada a morte de Muamar Kadafi, ele teria sido feito refém em Sirte, e depois de capturado houve uma troca de tiros e Kadafi foi alvejado com dois tiros no peito. A Líbia inicia uma nova etapa da sua história, deixando mais de 20 mil mortos nessa   guerra civil . 

Argélia : uma série de protestos vem aconteceram  em toda Argélia a partir de Janeiro de 2011. As causas citadas pelos manifestantes incluem o desemprego, a falta de habitação, a inflação dos alimentos, a corrupção, a liberdade de expressão e de más condições de vida. Enquanto os protestos localizados já eram comum nos anos anteriores,  uma sequência sem precedentes de protestos simultâneos e tumultos eclodiram em todo o país a partir de janeiro de 2011,  e  foram seguidos por uma onda de auto-imolações (atear fogo ao próprio corpo), a maioria delas na frente de prédios do governo. Os partidos da oposição, em seguida, começaram a realizar manifestações, ilegais na Argélia, sem a permissão do governo no âmbito do estado de emergência , em curso desde o golpe de Estado de 1992.     
    O presidente da Argélia, Abdelaziz Bouteflika,  prometeu iniciativas para ajudar a criação de empregos , o acesso da oposição às mídias oficiais, e   medidas imediatas do governo para reduzir os preços dos alimentos .
   
    Marrocos :  milhares de  marroquinos foram às ruas, em fevereiro de 2011, protestando nas principais cidades do país, principalmente em Rabat e Casablanca, pedindo reformas constitucionais e dissolução do parlamento. 

   Tunísia :  Desde o último dia 16 de dezembro a Tunísia vive uma grande onda de revolta que vem se espalhando por todo o país. Tendo início nas cidades do interior, a rebelião contra o governo central chegou nos últimos dias à capital do país, Túnis.
  O estopim da revolta popular se deu após o jovem Mohammed Bouazizi atear fogo ao próprio corpo como protesto. O jovem Bouazizi, que estava desempregado e trabalhava como vendedor ambulante, se revoltou após a polícia apreender a mercadoria que ele vendia.
   Apontada como modelo de estabilidade na região, a Tunísia, sob o regime ditatorial imposto por Ben Ali, tem sido um dos pilares de sustentação dos interesses do imperialismo na região. Depois de assumir o poder no lugar do nacionalista Habib Burguiba por meio de um golpe de Estado em 1987, o atual presidente do País fez uma série de reformas "neoliberais", aumentando a presença do capital estrangeiro no país e privatizando empresas públicas.
   Os acontecimentos na Tunísia são mais uma prova da tendência a uma intensa mobilização revolucionária que começa a se desenvolver em todo o mundo. Todos os acontecimentos do último mês mostram que atual crise capitalista faz a situação política mundial caminhar a passos largos no sentido da  revolução proletária.
   Em 14 de janeiro de 2011,  Ben Ali não teve outra alternativa senão fugir do país e da cólera do seu povo. Ele e os seus colaboradores mais próximos fugiram em quatro helicópteros para a ilha mediterrânica de Malta. Como Malta se recusou a recebê-los, apanharam um avião para França. Ainda no ar, os franceses fizeram saber que não lhes permitiriam a entrada. Então o avião voltou para trás, para a região do Golfo, até que finalmente foi autorizado a aterrizar e foi bem recebido na Arábia Saudita.

      Egito : Os motivos para as Manifestações são que os egípcios se queixam dos altos índices de desemprego, do autoritarismo do governo, dos níveis elevados de corrupção, da violência policial, leis de estado de exceção, o desejo de aumentar o salário mínimo, falta de moradia, inflação, falta de liberdade de expressão e más condições de vida.  Sendo o principal objetivo dos protestos  derrubar o regime do presidente Hosni Mubarak.
  As manifestações no Egito foram convocadas pela Internet sob o nome de “Dia da Ira”, sendo que as redes sociais vinham sendo uma das principais fontes de informação para o mundo exterior.
  O conflito no Egito parece até repetir o que aconteceu há duas semanas na Tunísia (outro país árabe do norte da África), onde uma rebelião popular derrubou o presidente Zine al Abidine Ben Ali, após 23 anos no poder. Além disso, está repercutindo em outros países, onde manifestantes também têm se insurgido contra o governo, como no Iêmen e no Gabão.
   Parecia que esse dia, ainda fosse demorar muito, no entanto, ontem , 11 de fevereiro de 2.011 Omar Suleiman o vice presidente do Egito, em nota curta anunciou que Hosni Mubarak , acabara de renunciar ao cargo de presidente do Egito. A euforia tomou conta de todo o pais, marcando o fim da agonia de 30 anos de mandato marcado pela corrupção, repressão e pobreza.
    O Presidente do Egito Hosni Mubarak renuncia e uma junta militar assume o poder no país. Atualmente (agosto de 2011) Hosni Mubarak está enfrentando julgamento, juntamente com dois de seus filhos, sob acusações de corrupção, abuso de poder e pela morte de centenas de pessoas nos conflitos que o depuseram do poder. Hosni Mubarak era um aliado dos  Estados Unidos e de Israel, estava no poder há trinta anos no Egito, e tem 83 anos de idade.  
   
    Iraque : em fevereiro de 2011 centenas de jovens saem às ruas de Bagdá, com balões e cartazes vermelhos para exortarem amor ao país e criticarem a ganância dos dirigentes. O Primeiro Ministro do Iraque, Nouri al-Maliki diz que a manifestação é  legítima e que continuaria trabalhando para melhorar as condições de vida no país. 
   Posteriormente, manifestações aconteceram nas cidades de Basra e Nasir, no sul do Iraque, clamando por reformas políticas. Em Bagdá, as manifestações foram combatidas por forças policiais, inclusive provocando a morte de pelo menos cinco manifestantes. 


     Jordânia : da mesma que na Tunísia e Egito, grupos organizados de sindicalistas e militantes da esquerda insuflam a população, tomam  as ruas de Amã e outras seis cidades e  exigem  a renúncia do Primeiro Ministro Samir Rifai . Com a continuação dos protestos o Rei Abdullah demite o primeiro-ministro, em fevereiro de 2011. Mesmo assim as manifestações continuaram, e   em julho de 2011 resultaram em 130 feridos e um morto. 


        Iêmen : o país é varrido por ondas de protestos, desde janeiro  de 2011, pedindo a renúncia do Rei Ali Abdullah Saleh, no poder há 32 anos. O Rei do Iêmen é um aliado do ocidente contra o terrorismo na região.  Mesmo após as declarações do Rei Ali Abdullah Saleh de que não permaneceria no poder e nem ao menos colocaria seu filho no seu lugar, os protestos continuaram e deixaram dezenas de mortos e centenas de feridos. 


     Síria  :  A revolta popular na Síria é, segundo o governo do país, resultado de uma insurreição armada, disse o Ministério do Interior na segunda-feira do dia 18 de abril de 2.011, após milhares de manifestantes pró-democracia terem realizado marcha na cidade de Homs exigindo a saída do presidente Bashar al- Assad. 
    Os movimentos populares tiveram início com dois adolescentes que pintaram a frase : O Povo Quer Derrubar o Regime. Esses dois jovens foram presos.  Essa frase tem sido usada em todas as marchas populares .  Segundo imagens e relatos dos manifestantes, os movimentos populares  encontram violenta repressão por parte das forças de segurança.
     A Sexta-Feira do Dia  6 de Maio de 2011 foi até agora  a manifestação mais expressiva, pois mobilizou cerca de 10 mil pessoas nas ruas, em cidades de todo o país. A autoridade Síria, seu Presidente Bashar al- Assad, filho do ex-presidente Hafez al - Assad, comanda o país com severa censura e opressão, sem qualquer tipo de eleição.
    Comenta-se que mais 800 pessoas tenham sido mortas, nas manifestações, pelas forças de segurança e que mais de 8.000 estão desaparecidas.  

Geografia Newton Almeida

domingo, 21 de agosto de 2011

Os Problemas Ambientais da Europa

                                           Os Problemas Ambientais da Europa    

 Introdução 

          A Europa é o berço da civilização ocidental  onde surgiram o  capitalismo e a industrialização, que marcaram o mundo pelo desenvolvimento tecnológico e crescente urbanização .  A capacidade inventiva e laborativa do ser humano, presente, em maior ou menor grau,  em qualquer sistema político e econômico, seja numa monarquia, ou república parlamentarista,  ou numa nação socialista,  levou conforto e melhor qualidade de vida a bilhões de pessoas, de modo geral, e isso pode ser aferido pela crescente quantidade de seres humanos no mundo,  cujo número deverá alcançar a casa de 7 bilhões, ainda nesse ano de 2.011 .
       Para suprirem suas necessidades básicas de moradia e alimentação e também para alcançarem uma vida mais salubre e confortável, as sociedades humanas alteram o ambiente .  As conseqüências dessas alterações ambientais  estão sendo criteriosamente estudadas, pois a manutenção da qualidade de vida depende da utilização de recursos naturais e existem milhões de humanos que ainda não compartilham desses avanços   tecnológicos e infra-estruturais.  
      Esse é o desafio : compatibilizar o desenvolvimento sócio-econômico alcançado, conceder aos excluídos o acesso ao desenvolvimento socioeconômico e  garantir a sustentabilidade da biodiversidade para as gerações futuras  ( Newton Almeida, 2011 ) .

    Alterações do Clima

    A grande maioria dos cientistas alerta para o perigo do aumento do efeito  estufa provocado, principalmente,  pelo aumento dos níveis de CO2 na atmosfera, que já é  50% superior ao dos tempos pré-industriais (antes de 1750).
   O lançamento de  gases de efeito estufa (GEE) acompanha o nível de industrialização do país, em geral, mas também está relacionado com as queimadas de florestas, quer sejam incêndios florestais acidentais, ou devido às práticas rudimentares agrícolas (comum em países menos desenvolvidos), ou pelas alterações climáticas .  Tais incêndios  florestais que vem acontecendo repetidamente na Europa, e principalmente no sul do continente europeu.
  O efeito Estufa é um fenômeno natural,  e é um mecanismo de manutenção da temperatura atmosférica em níveis favoráveis à vida . Se o Efeito Estufa não existisse, a temperatura na Terra seria muito baixa, o que fatalmente impediria a vida no planeta.  
   Abaixo um desenho esquemático do Efeito Estufa :
















Consequências  da ampliação do Efeito Estufa na Europa :  

     Os cientistas advertem para as prováveis e trágicas conseqüências do aumento do efeito estufa:   padrões climáticos alterados,  aumento do nível do mar, efeitos sobre a hidrologia, ameaças aos ecossistemas e degradação do solo.
    As previsões indicam uma duplicação das concentrações de CO² para o ano de 2030, produzindo um aumento de temperatura em 1,5 a 4°C . Nesse cenário, as previsões mais otimistas dos efeitos no sul da Europa indicam um aumento de temperatura ainda maior de 2° C no inverno a 3º C no verão.
    Abaixo  reportagens sobre alterações climáticas registradas na Europa, que retratam o quadro repetido de verões escaldantes e incêndios florestais  :

Altas temperaturas causam mortes na Europa
      (05 de agosto de 2003)

http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI127845-EI314,00Altas+temperaturas+causam+mortes+na+Europa.html  )

     As altas temperaturas registradas no verão europeu estão causando mortes e incêndios por todo continente. Na Espanha, a onda de calor fez mais quatro vítimas: um homem de 42 anos em Madri e três octogenários, dois em Córdoba e outro em Sevilha.
     O homem que morreu em Madri sofreu uma parada cardiorrespiratória provocada, segundo primeiras análises, por uma hipertermia - temperatura corporal acima de 41 graus. Os três octogenários hospitalizados em Córdoba e Sevilha também não resistiram ao calor e aumentaram para 10 o número de vítimas fatais somente na região da Andaluzia, em uma semana em que as temperaturas superam os 40 graus à sombra.
    Cerca de 30 pessoas estão internadas na mesma região, cinco delas em estado grave em Sevilha, Córdoba e Huelva. A Polícia investiga ainda a causa da morte de quatro pessoas em suas casas em Sevilha, que pode ser a alta temperatura.

Portugal
     O fogo que queima florestas em grande parte da Europa continuou a se espalhar hoje, elevando para 11 o número de mortos em Portugal. O fogo atingiu tais proporções que já pode ser visto nas fotos de satélite da região.
    A agência de notícias portuguesa Lusa disse que o corpo de um homem de 62 anos e o de uma mulher idosa foram encontrados perto de Oleiros (170 quilômetros a nordeste de Lisboa). O local fica próximo das áreas atingidas pelos incêndios. O homem apresentava sinais de contaminação por fumaça e a mulher estava queimada. Essas mortes elevam para 11 o número de vítimas fatais registradas no país desde que começaram, no início da semana passada, os incêndios no país.
    O governo português declarou estado de desastre nacional na segunda-feira em decorrência do fogo. Cerca de 3,4 mil bombeiros e soldados trabalharam durante a noite para aproveitar a queda de temperatura nesse período. Alguns focos de incêndio foram debelados, mas as temperaturas de 40ºC verificadas de dia e os ventos vindos do leste podem jogar por terra os ganhos obtidos na ausência do sol.

França, Polônia
    França e Polônia também estão ameaçadas pelo fogo que aproveita as condições propícias criadas pela onda de calor atualmente registrada no continente.
    Na França, onde as temperaturas atingem níveis recordes em várias regiões, centenas de bombeiros tentam conter um incêndio florestal nas proximidades de Gorges du Tarn (sul). "Estamos sentados sobre um vulcão, que pode se acender em qualquer lugar e a qualquer momento", disse Jean Schmidt, porta-voz do corpo de bombeiros da região de Lozere.  
Onda de calor atinge a Europa; são estimadas 500 mortes só na Hungria          24/07/2007
             (   http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u314769.shtml  )

         A onda de calor que atinge as regiões central e sudeste da Europa já deixou ao menos 500 mortos na Hungria na última semana, segundo estimativa do Instituto Nacional de Saúde Ambiental, divulgada nesta terça-feira.
       "De 15 a 22 de julho, a taxa de mortalidade subiu cerca de 30% no centro da Hungria, em comparação com a média de um dia de verão", afirmou um porta-voz do Instituto. "Isso indica que nessa região o calor contribuiu para a morte de 230 pessoas, o que extrapolado para nível nacional representa cerca de 500 mortes", estimou.
      As temperaturas recordes também mataram 12 romenos só nesta segunda-feira, elevando para 30 o saldo de mortos no país na última semana. Outros 19 mil romenos deram entrada em hospitais. Também morreram um homem na Macedônia e outro na ilha de Corfu, segundo autoridades.
     Bombeiros, soldados e voluntários tentavam controlar incêndios por todo o sudeste europeu. Florestas na Bósnia, Sérvia, Montenegro, Macedônia, Bulgária e Grécia foram devastadas pelas chamas nesta semana, provocadas supostamente pelas altas temperaturas após um inverno seco.
    A Sérvia enfrentou 50 incêndios em florestas no dia previsto para ser o mais quente do ano por meteorologistas, com temperaturas chegando a 43ºC. Só a Província de Kosovo registrou 18 focos de incêndio.
   No sul da Itália, milhares de turistas ficaram ilhados nas praias da região de Puglia. Um foco de incêndio se espalhou rapidamente, forçando pessoas de acampamentos e hotéis a correr. Ao menos duas pessoas morreram, segundo autoridades locais.
   Serviços de emergência usaram botes e helicópteros para resgatar cerca de 4.000 turistas e moradores para áreas seguras, segundo a mídia local. Muitos correram para a praia em trajes de banho, deixando todos seus pertences para trás. O fogo se espalhou rapidamente, ameaçando hotéis e acampamentos, afirmou a polícia portuária.
   Na Grécia, turistas visitam a Acrópole, em Atenas, com temperaturas chegando a 43ºC . Gregos e turistas andavam nas ruas com guarda-chuvas e jornais cobrindo a cabeça. Muitos foram para praias próximas. "É como ter uma sauna sem ter de pagar, uma sauna grátis de Deus", disse uma mulher fazendo compras em Atenas à Reuters TV.    Na Macedônia, as temperatura atingiram um recorde de 45ºC, deixando muitas regiões do país sem energia. Na Bósnia, a cidade de Citluk, o porto adriático de Neum e a cidade de Visegrad declararam estado de emergência.
   Já o Reino Unido enfrenta as piores enchentes dos últimos 60 anos, que deixaram milhares de casas sem água potável e eletricidade, chegando a ameaçar a cidade de Oxford em plena temporada turística. Equipes de emergência tentam conter rios que transbordam, inundando vilas e cidades, principalmente no centro da Inglaterra.

   Destruição da Camada de Ozônio 
    O ozônio é um gás atmosférico azul-escuro, que se concentra na chamada estratosfera, uma região situada entre 20 e 40 km de altitude. A diferença entre o ozônio e o oxigênio dá a impressão de ser muito pequena, pois se resume a um átomo: enquanto uma molécula de oxigênio possui dois átomos, uma molécula de ozônio possui três.
    Essa pequena diferença, no entanto, é fundamental para a manutenção de todas as formas de vida na Terra, pois o ozônio tem a função de proteger o planeta da radiação ultravioleta do Sol (raios UV-B) . Sem essa proteção, a vida na Terra seria quase que completamente extinta.
    O ozônio sempre foi mais concentrado nos pólos do que no equador, e nos pólos ele também se situa numa altitude mais baixa. Por essa razão, as regiões dos pólos são consideradas mais propícias para a monitoração da densidade da camada de ozônio.
   A incidência dos raios UV-B provoca queimaduras  e pode causar câncer de pele, inclusive o melanoma maligno, freqüentemente fatal. A Agência Norte-Americana de Proteção Ambiental estima que 1% de redução da camada de ozônio provocaria um aumento de 5% no número de pessoas que contraem câncer de pele. Em setembro de 1994 foi divulgado um estudo realizado por médicos brasileiros e norte-americanos, onde se demonstrava que cada 1% de redução da camada de ozônio, desencadeava um crescimento específico de 2,5% na incidência de melanomas. A incidência de melanoma, aliás, já está aumentando de forma bastante acelerada. Entre 1980 e 1989, o número de novos casos anuais nos Estados Unidos praticamente dobrou; segundo a Fundação de Câncer de Pele, enquanto que em 1930 a probabilidade de as crianças americanas terem melanoma era de uma para 1.500, em 1988 essa chance era de uma para 135.
     O   problema da destruição da camada de Ozônio  é causada pela liberação de substâncias químicas conhecidas como cloro- fluorcarbonos  e bromofluorocarbonos (os chamdos gases CFC’s) , usados nos sistemas frigoríficos, na limpeza industrial,  em sprays aerosaóis,  na produção de espuma e nos extintores de incêndio.
     As suas consequências incluem alterações possíveis na circulação atmosférica e um aumento da radiação de UV-B sobre a superfície da Terra, que pode conduzir a níveis mais elevados de cancro da pele, cataratas nos olhos e efeitos sobre os ecossistemas .
   Estima-se que a camada de ozônio está  degradando-se a uma taxa de 5%, a cada 10 anos,  sobre a Europa do Norte, com essa degradação a estender-se ao sul, em direção  ao Mediterrâneo . 













       


 

   

 Em Portugal

    Quanto à situação da camada de ozônio em Portugal, a diminuição da espessura da camada também foi sentida. Há medições da espessura da camada de ozônio desde 1951. Os dados recolhidos permitem concluir que a quantidade total de ozônio, no período 1968-1997, apresenta uma tendência estatisticamente significativa de redução da espessura da camada de 3.3 % por década, o que é perfeitamente consistente com a redução que se tem observado noutras estações da Europa (por exemplo na  Itália).
    De acordo com a Quercus   (Associação Nacional de Conservação da Natureza, é uma ONG portuguesa fundada a 31 de Outubro de 1985 na cidade de Braga) , Portugal é um dos países da União Européia que mais contribui para a destruição da camada do ozônio. Em 2004, Portugal recuperou cerca de 0,5% dos CFC’s existentes nos equipamentos em fim de vida, como frigoríficos , geladeiras  e aparelhos de ar condicionado. A não-remoção e tratamento dos CFC’s ainda presentes nos equipamentos mais antigos, conduz à liberação para a atmosfera de 500 toneladas anuais desses gases, segundo a Quercus. 

Medidas tomadas mundialmente, e na Europa,  para evitar a degradação da camada de ozônio


     Cerca de dois anos após a descoberta do buraco do ozônio sobre a atmosfera da Antártida, os governos de diversos países, entre os quais a maioria dos países da União Européia, assinaram em 1987 um acordo, chamado Protocolo de Montreal, com o objetivo de reconstituir a concentração de ozônio na alta atmosfera. O único método conhecido de proteção da camada do ozônio é limitar a emissão dos produtos que o danificam e substituí-los por outros mais amigos do ambiente, como os clorohidrofluorcarbonetos .
     Assim sendo, mais de 60 países comprometeram-se a reduzir em 50% o uso de CFC ‘s  até finais de 1999, de acordo com o Protocolo de Montreal, tendo como objetivo de reconstituir a concentração de ozônio na alta atmosfera. Este acordo entrou em vigor em 1989 e visa reduzir, progressivamente, as emissões dos gases que provocam a degradação do ozônio.
    Na Conferência de Londres (Europa) , em 1990, concordou-se em acelerar os processos de eliminação dos CFC ‘s , impondo a paralisação  total da produção até ao ano de 2000, tendo sido criado um fundo de ajuda aos países em desenvolvimento para esse fim. Os Estados Unidos, Canadá, Suécia e Japão anteciparam essa data para 1995 e a União Européia  decidiu parar com a produção até janeiro de 1996.
     Segundo a Organização Meteorológica Mundial, o Protocolo de Montreal tem dado bons resultados, uma vez que foi registrada uma lenta diminuição da concentração de CFC ‘s  na baixa atmosfera após um máximo registrado no período de 1992/1994. Em Fevereiro de 2003, cientistas neozelandeses anunciaram que o buraco na camada de ozônio sobre a Antártida poderá estar fechado em 2050, como resultado das restrições internacionais impostas contra a emissão de gases prejudiciais.       
     As concentrações de ozônio diminuíram nas latitudes médias sobre a Europa em 6 a 7% durante a última década . A Europa contribui com cerca de um terço das emissões mundiais de substâncias que destroem a camada de ozônio. As previsões indicam que as mortes por cancro da pele, provocadas pelo aumento da radição UV-B, atinjam dois habitantes a cada milhão no ano de 2030. 

 A Perda de Biodiversidade
    Como os papéis, ou funções,  ecológicos de muitas espécies são em grande medida desconhecidos , o mais sensato é adotar o princípio da precaução, evitando quaisquer  ações que reduzam inutilmente a biodiversidade.
     A biodiversidade engloba a variedade de genes, espécies e ecossistemas que constituem a vida no planeta.    Os ecossistemas europeus incluem mais de 2.500 tipos de habitats e cerca de 215.000 espécies, 90% das quais são invertebradas. Quase todos os países europeus têm espécies endêmicas (que não se encontram em qualquer outro lugar). Os centros europeus  de biodiversidade incluem a Bacia do Mediterrâneo e as Montanhas do Cáucaso na orla sudeste da Europa.
    Assistimos atualmente a uma perda constante da biodiversidade com profundas consequências para o mundo natural e o bem-estar humano. As principais causas são as alterações nos habitats naturais, resultantes dos sistemas intensivos de produção agrícola, da construção, da exploração de pedreiras, expansão das cidades (urbanização) , da exploração das florestas, oceanos, rios, lagos e solos, da introdução espécies exóticas, da poluição e, cada vez mais, das alterações climáticas globais.
   A Europa estabeleceu um objetivo para conter a perda de biodiversidade. Vários estudos recentes da Agência Européia do Ambiente ( AEA ) mostram que se não forem feitos  mais esforços políticos significativos, é improvável que esse objetivo seja atingido.
  A humanidade é ela própria parte da biodiversidade e a nossa existência seria impossível sem ela. Qualidade de vida, competitividade econômica, emprego e segurança, tudo depende deste capital natural. Biodiversidade é fundamental para os "serviços ambientais ", ou seja, os serviços que a natureza fornece: regulação do clima, da água e do ar,  o controle das enchentes e das secas ,  a decomposição e limpeza dos dejetos , a produção e renovação de solo fértil ,  a polinização da vegetação , o controle de pestes comuns à agricultura , a dispersão de sementes e transferência de nutrientes , a manutenção da biodiversidade.  A biodiversidade é essencial para manter a viabilidade da agricultura e das pescas a longo prazo e é a base de muitos processos industriais e da produção de novos medicamentos.
   Na Europa, a atividade humana tem moldado a biodiversidade desde a expansão da agricultura e da produção animal, há mais de 5000 anos. As revoluções agrícola e industrial deram origem a profundas e rápidas mudanças na utilização dos solos, na intensificação da agricultura, na urbanização e no abandono das terras que, por seu turno, resultaram no desaparecimento de muitas práticas (por exemplo, métodos agrícolas tradicionais) que ajudavam a preservar a riqueza das paisagens em biodiversidade.
   O elevado consumo , que aumenta  a geração  de resíduos sólidos (lixo)  por pessoa na Europa, significa que o nosso impacto nos ecossistemas se estende muito para além do nosso continente. Os estilos de vida europeus dependem significativamente da importação de recursos e bens de todos os cantos do mundo, encorajando muitas vezes a exploração dos recursos naturais. Esta situação leva à perda de biodiversidade que, por seu turno, reduz o estoque  de recursos naturais no qual se baseia o desenvolvimento econômico e social .
  Em complemento aos estudos da Agência Européia do Ambiente, o Programa das Nações Unidas para o Ambiente confirmou que em alguns países europeus a extinção de espécies de borboletas, aves e mamíferos atinge agora a nível  de 24%. Dois terços das  árvores da Europa  sofrem os efeitos da poluição e, nos países  do sul, a erosão do solo e a invasão do deserto são ameaças complementares para a biodiversidade.
   Como a União Européia se expande para leste, e estima-se que a população aumente em  170 milhões de habitantes, o que representa um aumento de 58% de ocupação de terra e de grandes superfícies de paisagens não degradadas. Por conseguinte, é essencial desenvolver a nível pan-europeu uma abordagem comum para preservar e reconciliar a biodiversidade.  
 Chuva Ácida na Europa
      O uso de combustíveis fósseis, sobretudo o carvão, contribui para a emissão e formação de gases na atmosfera, principalmente o dióxido de enxofre e nitrogênio . Em contato com o ar e o vapor d’água presentes na atmosfera, esses compostos formam soluções ácidas que, com as chuvas, podem provocar muitos problemas, como morte de plâncton e peixes nos lagos e  a erosão de peças de arte (estátuas) expostas ao ar livre. 
     No sul da Escandinávia vem ocorrendo uma forte acidificação da água doce em grandes áreas, provocando a morte de peixes.
    Na República Checa, na Alemanha, na Polônia e na República Eslovaca , as florestas de coníferas  estão sendo degradadas, também em conseqüência da acidificação pelo nitrogênio e dióxido de enxofre no ar.  
    Abaixo a imagem dos efeitos da precipitação ácida sobre uma floresta temperada (Jizera, República Checa) . 
















   Problemas Ambientais na Europa :   Recursos Hídricos
   A  poluição e a deterioração de habitats aquáticos dificultam gravemente a utilização da água para consumo humano e para a fauna selvagem . Os órgãos responsáveis estimam que seja desperdiçada  muita água no sistema de distribuição e, apesar de se calcularem 25 a 30% de perdas na França, no Reino Unido e na Espanha, este número pode atingir os  50%.
   A distribuição regional de problemas relativos às reservas de água européias (tais como o desequilíbrio entre a oferta de água disponível e o consumo, a destruição de habitats aquáticos e a poluição da água) é destacada e discutida, relacionando-a com as pressões originadas pela atividade humana nas bacias hidrográficas. Foi proposta uma série de objetivos sustentáveis para a gestão dos recursos aquáticos, e bem assim os meios para os atingir. Dedica-se particular atenção à necessidade de cooperação internacional para a gestão dos rios internacionais (rios que passam por mais de um país )  .

 Degradação das Florestas na Europa
    As duas causas mais importantes da degradação das florestas em toda a Europa são : 1 - a poluição do ar, que ameaça gravemente a sustentabilidade dos recursos florestais na Europa Central, na Europa do Leste e, em menor extensão, na Europa do Norte, e   2 -  os incêndios, uma preocupação importante no sul da Europa.
    A análise dos danos é feita a partir de observações e de levantamentos realizados à escala européia. Contudo, estes não permitem que se identifiquem de imediato relações de causa-efeito. Um acompanhamento  minucioso poderia melhorar a sua compreensão.
    No que diz respeito aos incêndios, as causas estão muitas vezes relacionadas com fatores sócio-econômicos que dificultam o seu controle, pois  frequentemente  acontecem  conflitos e tensões no sistema de ordenamento do território.
    Um estudo de 1992 sobre 113 espécies de árvores em 34 países europeus mostrou que 24% das árvores estavam danificadas, na medida em que o desfolhamento era 25% superior ao normal, e outros 10% sofriam de descoloração. Cerca de 54% das árvores da República Checa podem ter já sofrido danos irreversíveis.
  Todos os anos são queimados 700.000 hectares de florestas , num total de 60.000 focos de incêndios florestais anuais na Europa.


Fonte (Agência Européia do Ambiente) : 
http://www.eea.europa.eu/pt/publications/92-827-5122-8/pt/page014.html
Fonte (imagem efeito estufa)  :   http://www.rudzerhost.com/ambiente/images/efeitoestufa2.

Fonte (texto efeito estufa):    http://www.library.com.br/Filosofia/acamada.htm
Fonte (imagem camada ozônio ) : http://www.coladaweb.com/quimica/quimica-ambiental/camada-de-ozonio
Fonte (imagem chuva ácida) : http://amanatureza.com/projeto/wp-content/uploads/2007/07/chuva-acida-arvores 

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Geografia Newton Almeida

terça-feira, 16 de agosto de 2011

América - População

           














  Considerações Gerais  Sobre a População na  América Anglo-Saxônica e América Latina


     O continente americano possui   cerca de 850 milhões de habitantes, ocupando o território de forma irregular, ou seja, algumas regiões são pouco povoadas e outras são mais densamente povoadas. Essa distribuição desigual da população é explicada pelas condições de relevo, clima e vegetação do imenso território da América, e por fatores históricos e econômicos .  Nas altas montanhas, nos desertos e em regiões de clima muito frio a densidade demográfica é pequena, pois são as chamadas áreas anecúmenas  * .
    De maneira geral, é na porção leste do continente americano em que a densidade demográfica é mais elevada. Justamente  na primeira região a ser colonizada pelos europeus.  Na porção leste o relevo é constituído por planaltos de baixas altitudes , o que facilitou a ocupação humana nessa região.  E o contrário ocorre nos extremos norte e sul do continente, por conta das baixas temperaturas comuns nas altas latitudes do planeta.
    Na porção centro-norte  do continente sul-americano também são baixas as densidades demográficas, pois é lá que está localizada a imensa Floresta Amazônica , além  de desertos.         Na porção central da América do Norte o fator anecúmeno (fator limitador  da ocupação humana)   são os climas muito secos. Em toda a porção oeste do continente americano o relevo montanhoso  impediu maiores adensamentos humanos .

Considerações Sobre a DEMOGRAFIA DO CONTINENTE AMERICANO
    O crescimento demográfico na América é muito desigual. Os países mais desenvolvidos apresentam taxas de crescimento da população menores que as dos países subdesenvolvidos.

    A  América Anglo-Saxônica, Estados Unidos e Canadá, apresentou um considerável desenvolvimento econômico, na segunda metade do século XIX (o século XIX começa no ano de 1801 e vai até o ano de 1900, a segunda metade do século XIX começa em 1850),  em especial nos Estados Unidos, e a conseqüência foi a melhoria nas condições de vida da população e a redução das taxas de mortalidade. Isso proporcionou um rápido crescimento da população . Outro fator que contribuiu para o aumento populacional da América Anglo-Saxônica, nesse período, foi a chegada de muitos imigrantes.
   No início do século XX ( o século XX tem início no ano de 1901 e vai até o ano de 2.000 ) as taxas de natalidade diminuíram, devido ao alto custo de criação dos filhos, pela entrada das mulheres no mercado de trabalho e pela disseminação dos métodos anticoncepcionais.   A partir da segunda metade do século XX , a redução da natalidade, associada a um rigoroso controle da imigração na América Anglo-Saxônica, resultou na queda do seu crescimento demográfico.

        Na América Latina os indicadores demográficos evoluíram de maneira muito diferente. Na segunda metade do século XX a explosão demográfica aconteceu na América Latina, justamente no período em que na América Anglo-Saxônica a taxa de crescimento do  número de habitantes começava a  diminuir.  O crescimento populacional na América Latina ocorreu devido às melhorias sanitárias, como melhor cobertura do sistema de saúde, campanhas de vacinação, tratamento da água, coleta de lixo e tratamento do esgoto.

       Existe  Relação entre o Crescimento Populacional e a Pobreza  ?

    Para muitos estudiosos e especialistas da década de 1960,  o acelerado crescimento demográfico seria a principal causa do subdesenvolvimento da América Latina. Com base nisso, a partir da década de 1970 muitos países latino-americanos passaram a adotar políticas de controle de natalidade, como a esterilização masculina e feminina e as campanhas de planejamento familiar.  Essas políticas resultaram  em um menor crescimento demográfico, mas os problemas sociais, como a fome, o analfabetismo e a mortalidade infantil ainda são motivos de preocupação.
     Isso demonstra que o crescimento populacional não é a principal causa do subdesenvolvimento , como se afirmava na década de 1960 . 
    A razão fundamental dos problemas sociais na América Latina é a distribuição desigual da riqueza. 
    
 *   Áreas anecúmenas são regiões do globo terrestre nas quais existe pouca ou nenhuma  população, devido ao ambiente não ser favorável à ocupação humana, com condições naturais adversas, como uma  região de frio intenso ou polar, regiões de desertos, regiões de relevo muito elevado.
    Fonte :  Projeto Araribá Geografia ; 8º ano; Sônia Cunha de Sousa Danelli ; Editora Moderna .
     Fonte da imagem : http://pt.wikipedia.org/wiki/Am%C3%A9rica
Geografia Newton Almeida

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domingo, 14 de agosto de 2011

A Globalização, Segundo Newton Almeida



  Sobre o termo Globalização, simplifico conceitualmente : 


     É o aumento da velocidade das trocas de mercadorias e informações entre os países do mundo, permitido pelo desenvolvimento das redes de transporte e telecomunicações (Newton Almeida, 2011). 
     Portanto, a globalização transforma o mundo na aldeia global, ou seja, as distâncias não são mais barreira para a integração  mundial. Qualquer acontecimento no Japão, por exemplo, pode ser   do nosso conhecimento, aqui no Brasil, em alguns segundos. É como se o mundo fosse uma pequena aldeia, a ALDEIA GLOBAL . 
    Prefiro ver a globalização  como uma oportunidade de afirmar as particularidades culturais, pois atualmente é maior a facilidade de conhecê-las .  A manutenção da cultura local é possível e pode ser facilitada pela comparação com as outras.      
   Sabemos, também,  que a globalização surge em consequência do objetivo de se alcançar maiores mercados econômicos, pelo avanço do capitalismo,  tanto para produtos físicos como para produtos informacionais . 
   Eu acho que o grande monstro, que emerge da globalização é o MERCADO FINANCEIRO . A sua ampla liberdade é o perigo iminente do capitalismo. O Mercado Financeiro  é o lado sombrio e perigoso da GLOBALIZAÇÃO .  

Geografia Newton Almeida

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

A População Brasileira - Darcy Ribeiro

    A formação atual da população brasileira é consequência da evolução histórica de cada  território pertencente a essa imensa nação.   
     Quando chegaram ao continente americano, os conquistadores europeus encontraram povos que, embora possuíssem certa unidade étnica, apresentavam enormes diferenças sociais e culturais. A dispersão geográfica e os contextos históricos diversos faziam com que civilizações complexas em todos os aspectos (como os astecas e os incas) coexistissem com tribos nômades de organização e de modo de vida muito simples (como os peles-vermelhas do norte da América), e até com comunidades primitivas de características ainda do mesolítico (como a maior parte dos índios brasileiros). 
   De acordo com  o antropólogo Darcy Ribeiro (1922 - 1997), passaram a existir três categorias de povos no continente, a partir da chegada dos europeus na América :   1-  os povos-testemunho, astecas, maias, incas e diversas etnias de indígenas * ( * quando Cristóvão Colombo chegou na América chamou-se os povos nativos de índios, pois acreditava-se que estavam  na Índia . Desde então, o termo indígena, ou índio se disseminou. Muitos escritores e historiadores preferem utilizar o termo povos aborígenes, primeiras nações ou povos ameríndios , ao se referirem aos povos anteriores ) que aqui estavam desde o período pré-colombiano ; 2-  os povos transplantados, imigrantes que , uma vez instalados, mantiveram os costumes dos países de origem ( é o caso dos imigrantes que construíram algumas colônias no Sul do Brasil e dos que se fixaram na Argentina e no Uruguai ) ; 3- e os povos novos ( o brasileiro , por exemplo ), que se fomaram pela influência cultural e miscigenação de várias etnias. 

           O Povo Brasileiro  ( caracterização  de Darcy Ribeiro para a origem do povo brasileiro )

      Surgimos da confluência, do entrechoque e do caldeamento do invasor português com índios silvícolas e campineiros e com negros africanos, uns e outros aliciados como escrvos.  Nessa confluência , que se dá sob a regência dos portugueses, matrizes raciais díspares, tradições culturais distintas, formações sociais defasadas se enfrentam e se fundem para dar lugar a um povo novo (Ribeiro, 1970), num novo modelo de estruturação societária. Novo porque surge como uma etnia nacional, diferenciada culturalmente de suas matrizes formadoras, fortemente mestiçada, dinamizada por uma cultura sincrética e singularizada pela redefinição de traços culturais dela oriundos. Também novo porque se vê a si mesmo e é visto como uma gente nova, um novo gênero humano diferente de quantos existam. Povo novo, ainda, porque é um novo modelo de estruturação societária, que inaugura uma forma singular de organização socioeconômica, fundada num tipo renovado de escravismo e numa servidão continuada ao mercado mundial. Novo, inclusive, pela inverossímil alegria e espantosa vontade de felicidade, num povo tão sacrificado, que alenta e comove a todos os brasileiros. ( ..... ) 
     Essa unidade étnica básica não significa, porém, nenhuma uniformidade, mesmo porque atuaram sobre ela três forças modificadoras. A ecológica, fazendo surgir paisagens humanas distintas onde as condições do meio ambiente obrigaram a adaptações regionais. A econômica, criando formas diferenciadas de produção, que conduziram a especializações funcionais e aos seus correspondentes gêneros de vida.  E, por último, a imigração, que introduziu, nesse magma, novos contingentes humanos, principalmente europeus, árabes e japoneses. Mas, já o encontrando formados e capaz de absorvê-los e abrasileirá-los, apenas estrangeirou alguns brasileiros ao gerar diferenciações nas áreas ou nos estratos sociais onde os imigrantes mais se concentram . 

      Ribeiro, Darcy.  O povo brasileiro. A formação e o sentido do Brasil . São Paulo : Companhia  das Letras, 1995, p. 9-21 . 
       Darcy Ribeiro foi antropólogo, professor universitário, ministro do governo João Goulart, vice-governador do Estado do Rio de Janeiro (Governo Leonel Brizola) e senador por esse estado. Publicou diversos livros sobre antropologia, mundialmente reconhecidos .           

   Fonte: MOREIRA, João Carlos ; SENE, Eustáquio de . Geografia Ensino Médio, Volume Único. 1ª edição. Editora Scipione.São Paulo : 2010 .

Geografia Newton Almeida

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Brasil - América Portuguesa

   No ano de 2.000  o Brasil completou 500 anos da chegada dos portugueses. O termo descobrimento do Brasil é cada vez menos usado pelos historiadores, já que para os povos ameríndios * essas abençoadas terras não eram nenhuma novidade.  Mas, uma questão crucial no hábito de dizer " Pedro Álvares Cabral descobriu o Brasil em 21 de abril de 1500 " é a história cultural da América Portuguesa, o também chamado Brasil - Colônia.
    A América Portuguesa foi fragmentada em diferentes colônias, e portanto, não havia uma unidade política colonial. Essa América Portuguesa estava, obviamente submetida à soberania da Coroa portuguesa. Os contornos políticos dos territórios coloniais foram modificados ao longo do tempo, de acordo com as estratégias de administração e interesses de Lisboa. 
    Nos séculos XVI e XVII , a colonização utilizou o regime de capitanias hereditárias, com início em 1543. Os donatários (aqueles que recebiam o poder sobre as capitanias) mandavam em tudo, inclusive podiam distribuir sesmarias * , de modo a estimular a exploração econômica das terras.  As capitanias hereditárias dividiram a América Portuguesa em unidades autônomas e desarticuladas entre si. 
     Em 1549, o Regimento de Dom João III instalou o Governo Geral em Salvador. O primeiro  Governador Geral * , que também era chamado de Vice-Rei, foi Tomé de Sousa . 
     ( O Governo Geral foi mudado para o Rio de Janeiro em 1763, devido ao maior desenvolvimento econômico de Minas Gerais, pelas riquezas minerais , principalmente ouro e diamantes, sendo o Rio de Janeiro estratégico por abrigar o porto que destinava essas riquezas para a Coroa  ) . 
       O objetivo era de que  o Governador Geral tivesse poderes quase ilimitados e total supremacia hierárquica sobre os donatários. Mas, na prática isso não aconteceu, pois as longas distâncias, e os precários meios de transporte, fizeram com que o Governador Geral apenas tivesse autoridade nos limites da Bahia, e no máximo nas capitanias mais próximas.  
       A  América Portuguesa foi dividida , em Estado do Brasil  e  Estado do Maranhão, em 1621, na época da União Ibérica ( a união Ibérica foi a união das coroas da Espanha e de Portugal, que durou de 1580 até 1640, ano em que a monarquia portuguesa restaurou a sua soberania ) .  O Estado do Brasil com sede em Salvador e o  Estado do Maranhão, com sede em São Luís.  Esse novo Estado do Maranhão era subordinado apenas à Coroa, e tinha por objetivo defender o litoral setentrional, pois aconteciam ataques e ocupações dos franceses na região. 
        Com objetivo de fortalecer o poder e o controle metropolitano sobre as rendas coloniais, foi organizado o Conselho Ultramarino, no ano de 1642, que elaborava e executava as políticas para a América Portuguesa. Em seguida, foram criadas a Companhia Geral de Comércio do Brasil e a Companhia de Comércio do Maranhão e Grão-Pará. Dessa maneira, reforçava-se o monopólio comercial metropolitano .
         Em decorrência dessa nova orientação, foi progresivamente extinto o regime de capitanias herditárias . Esse processo concluiu-se durante a administração do Marques de Pombal (Sebastião José de Carvalho,Marquês de Pombal, foi o primeiro-ministro do monarca português Dom José I , entre 1750 e 1777 - Pombal adotou uma série de reformas destinadas a aprofundar o controle da metrópole sobre a colônia brasileira). Com isso, todas as capitanias particulares foram extintas , e   orgnizaram-se as Capitanias da Coroa, governadas por funcionários nomeados pelo Rei. Foram estruturados nove blocos regionais de capitanias, sob autoridade de capitães gerais, diretamente subordinados à Coroa. 
        Foi em 1751, após afastadas as ameaças dos franceses, que a atenção da Coroa concentrou-se na consolidação da soberania da enorme região amazônica, criando o Estado do Grão - Pará e implantando sua sede em Belém . 
       Em 1775, os Estados do Grão-Pará e do Maranhão são reabsorvidos pelo Estado do Brasil, passando a América Portuguesa a constituir, novamente, uma única unidade administrativa. A partir de então os termos "Brasil" e "América Portuguesa" passam a referir-se ao mesmo, caindo o último em desuso. O Brasil unificado seria elevado de estado a reino unido ao de Portugal em 1816. E por fim, tornar-se um império independente em 1822 com o " Grito do Ipiranga " : 
                                                 INDEPENDÊNCIA OU MORTE   ! 
        

* Povos Ameríndios  :  Índio ,  indígena ou nativo americano são nomes dados aos habitantes humanos da América antes da chegada dos europeus, e os seus descendentes atuais. A hipótese mais aceita, para a sua origem, é que os primeiros habitantes da América tenham vindo da Ásia, atravessando a pé o Estreito de Bering, no final da idade do gelo, há 12 mil anos. O termo "índio" provém do fato de que Cristóvão Colombo, quando chegou à América, estava convencido de que tinha chegado à  Índia, haja vista que o gentílico espanhol para a pessoa nativa da Índia é  índio, e dessa maneira chamou de índios os povos indígenas que ali encontrou. Por essa razão também, ainda hoje se refere às ilhas do Caribe como Índias Ocidentais. Mais tarde, estes povos foram considerados uma raça distinta e também foram apelidados de peles vermelhas. O termo ameríndio é usado para designar os nativos do continente americano, em substituição às palavras "índios", "indígenas" e outras consideradas preconceituosas.
* Sesmaria :  foi um instituto jurídico português que normatizava a distribuição de terras destinadas à produção. O Estado, recém-formado e sem capacidade para organizar a produção de alimentos, decide delegar a particulares essa função. Este sistema surgiu em Portugal durante o século XIV, com a Lei das Sesmarias de 1375, criada para combater a crise agrícola e econômica que atingia o país e a Europa, e que a peste negra agravara. No Brasil Colônia as sesmarias são grandes propiedades de terra, geralmente utilizando o trabalho escravo.  Quando a conquista do território brasileiro se efetivou, o Estado português decidiu utilizar o sistema sesmarial no além-mar, com algumas adaptações.

* Governador Geral : 
Criado o governo geral como forma de incrementar a presença estatal portuguesa no Brasil e apoiar os donatários de capitanias, Tomé de Sousa, nomeado governador-geral (1549-1553), trouxe com ele o Regimento de 17 de dezembro de 1548, com orientações precisas sobre a organização do poder público - fazenda, justiça, defesa, fundação de uma capital - e sobre temas relevantes como as relações com os indígenas e sua catequese e o estímulo às atividades agrícolas e comerciais . 


Fonte :  Livro , Projeto de Ensino de Geografia ;  Démetrio Magnoli , Regina de Araújo ; Editora moderna, 2001 ;   http://pt.wikipedia.org / 
Geografia Newton Almeida